Após anos dedicados à família, aos alunos e ao ensino do judô, Daryene decidiu atender a um chamado que nunca deixou de existir: voltar aos tatames como atleta. O que seria apenas um retorno transformou-se em uma história de fé, superação e conquista no Judô Veterano.
Em sua primeira participação em um Campeonato Mundial, ela enfrentou desafios dentro e fora do tatame e alcançou um título que simboliza muito mais do que uma medalha. Nesta entrevista ao Portal Judô Veteranos, Daryene compartilha sua trajetória, o apoio da família, a rotina de treinos e a mensagem inspiradora que deixa para mulheres que sonham em voltar a competir.
Apresentação
JUDÔ VETERANOS: Para começarmos, poderia se apresentar aos leitores do Judô Veteranos?
Daryene do Santos, de Jataí, Goiás. Faixa preta 4º DAN, categoria F1 -48kg.
JV: Como e quando o judô entrou na sua vida?
Daryene: Em 2004, meu professor abriu um Projeto Social na minha cidade natal (Ponta Porã – MS) e passou na escola onde eu estudava para fazer divulgação. Gostei da ideia e comecei a treinar. Eu tinha 12 anos de idade.
JV: Hoje, o judô representa mais o papel de atleta, de sensei ou ambos na sua trajetória?
Daryene: Possui ambos os papéis. Sou treinadora desde os 17 anos, quando comecei a dar aulas como auxiliar do meu sensei. Com 18 anos, iniciei a faculdade de Educação Física, tive a oportunidade de assumir minhas próprias turmas, me apaixonei e sou treinadora desde então.
Minha vida de atleta é desde que comecei, e sempre competi ativamente. Em dezembro de 2013, meu filho mais velho nasceu e, em janeiro, eu já estava treinando novamente.
Competi Brasileiro Regional e Brasileiro Final com ele ainda bebezinho. Em 2015, também competi ativamente até o meio do ano, quando descobri minha segunda gravidez. Meu caçula nasceu em maio de 2016 e, depois dele, tive uma grande pausa. Voltei oito anos depois, em 2023, com o intuito de incentivar meus filhos, meus alunos e tentar realizar alguns sonhos que eu tinha deixado adormecidos nesse meio tempo.
Judô Veterano e retorno às competições
JV: Em que momento você decidiu competir como atleta veterana?
Daryene: Em 2020, no ano em que me tornei veterana. Naquele ano, sofríamos com a pandemia e não pude participar de nenhuma competição presencial. Minha primeira competição foi um Open de Judô Funcional e, depois, não parei mais.
JV: O que te motivou a dar esse passo e permanecer ativa nas competições?
Daryene: Eu sempre gostei de competir, independentemente do resultado, mas ver meus filhos crescendo e ouvir meus alunos perguntando quando eles iam me ver lutar foi um divisor de águas. Além disso, subir no tatame para competir me transmite a sensação de estar viva, saudável e a ideia clara e palpável de que a idade não é um empecilho para me manter ativa e conquistar grandes títulos.
JV: Como você enxerga o Judô Veterano hoje, especialmente para as mulheres?
Daryene: Enxergo como uma fonte de inspiração para os mais jovens e, de forma especial, para nós, mulheres, que mesmo com o avanço da idade, o casamento, os filhos e o trabalho, podemos continuar treinando e realizando nossos sonhos de atletas.
O Campeonato Mundial – primeira participação
JV: O Campeonato Mundial marcou sua primeira participação em um Mundial. Como surgiu a decisão de disputar essa competição?
Daryene: Meu esposo, que é meu sensei, colega de treino e parceiro de vida, sempre me incentivou a voltar às competições de nível nacional. Quando consegui e tive um bom resultado, cogitamos a possibilidade de ir ao Mundial. Conversamos com nossos filhos, que têm 9 e 12 anos, e todo mundo apoiou. Uma decisão de família!
JV: Quais foram os principais desafios enfrentados na preparação para o Mundial?
Daryene: A dificuldade de conciliar trabalho, família e o tempo para realizar meus treinamentos. Em 2024, tive duas lesões; neste ano, passei por quatro procedimentos cirúrgicos no primeiro semestre. Além disso, enfrentamos também o desafio da dificuldade financeira, pois não tenho patrocínios.
JV: Em algum momento você imaginou que poderia conquistar o título logo na sua primeira participação?
Daryene: Nunca, jamais (risos).
A conquista do título mundial
JV: Seu marido também participou do Campeonato Mundial. Como foi viver essa experiência juntos?
Daryene: Sim, foi maravilhoso. Dieter é a pessoa mais apaixonada pelo judô que conheço. Teve desencontros com o judô ao longo da vida e, pela vontade de Deus, esse desencontro acabou nos aproximando. Ele também é um grande sonhador e estava muito feliz por ter chegado tão longe. O Mundial também era um sonho dele, e viver essa experiência juntos foi uma bênção e muito especial para nós.
JV: De que forma o apoio familiar influencia sua trajetória no judô?
Daryene: De forma muito especial e encantadora. O judô nos uniu e, através dele, formamos nossa família. Hoje temos uma equipe que leva nossos sobrenomes e nossos filhos vivem o judô como a gente. Em momentos de tristeza, dificuldade ou até preguiça (risos), um apoia e empurra o outro quando necessário. Aqui somos um por todos e todos por um, sempre!
JV: Acredita que essa vivência em casal fortalece ainda mais a relação com o esporte?
Daryene: Muito. Nós sonhamos com tudo isso e nos planejamos para esse momento que estamos vivendo hoje. Claro que não pensamos que seria tão rápido, mas por ser em família é ainda mais especial. Cada decisão é tomada em conjunto e funcionamos como uma balança: quando eu não estou bem, o outro sempre ajuda e incentiva.
Judô em família – competir ao lado do marido
JV: Seu marido também participou do Campeonato Mundial. Como foi viver essa experiência juntos?
Daryene: Sim, foi maravilhoso. Dieter é a pessoa mais apaixonada pelo Judô que conheço. Teve desencontros com o Judô ao longo da vida e pela vontade de Deus, esse desencontro acabou nos aproximando. Ele também é um grande sonhador e estava muito feliz por ter chegado tão longe. O Mundial também era um sonho dele e viver essa experiência juntos foi um benção e muito especial para nós.
JV: De que forma o apoio familiar influencia sua trajetória no judô?
Daryene: De forma muito especial e encantadora. O Judô nos uniu e através dele formamos nossa família. Hoje temos uma equipe que leva nossos sobrenomes e nossos filhos vivem o Judô como a gente. Em momentos de tristeza, dificuldade ou preguiça rs um apoia e empurra o outro quando necessário. Aqui somos um por todos e todos por um, sempre!
JV: Acredita que essa vivência em casal fortalece ainda mais a relação com o esporte?
Daryene: Muito. Nós sonhamos com tudo isso e nos planejamos para esse momento que estamos vivendo hoje. Claro que não pensamos que seria tão rápido, mas por ser em família é mais especial. Cada decisão é tomada em conjunto e funcionamos com uma balança, quando eu não estou bem o outro sempre ajuda e incentiva.
Preparação física, mental e rotina
JV: Como é sua rotina de treinos e preparação como atleta veterana?
Daryene: Acordo às 5h da manhã, faço a parte física com cardio, para a manutenção do peso, realizo minha leitura bíblica e oração, depois tomo o café da manhã e preparo o café da família. No período da tarde, após o trabalho, tiro uma hora para a parte física na musculação e, à noite, treino técnico. A cada 15 ou 30 dias, faço recovery.
JV: O que mudou na sua forma de treinar ao longo dos anos?
Daryene: A periodização. Antes, eu treinava de forma mais artesanal, apenas judô. Não tinha muito conhecimento sobre a importância da preparação física, e muita coisa mudou depois que passei a investir nisso.
JV: Qual a importância do cuidado com a saúde para manter-se competitiva?
Daryene: Importantíssimo. Já tive lesões e alguns problemas de saúde e posso falar com convicção que, sem saúde, tudo fica mais difícil. Isso mudou meu olhar para alimentação, suplementação, atividades de lazer e descanso.
Representatividade e inspiração
JV: Quais são seus planos a partir dessa conquista mundial?
Daryene: Incentivar mais mulheres e meninas a praticarem judô, incentivar as veteranas a voltarem ao tatame e também buscar patrocínios para o Mundial do ano que vem.
JV: Pretende seguir competindo em campeonatos nacionais e internacionais?
Daryene: Sim, com certeza. Estou ainda mais motivada!
JV: De que forma você pretende continuar contribuindo para o judô, dentro e fora do tatame?
Daryene: Sendo e dando um bom exemplo de intimidade com Deus, perseverança em tudo o que faço, amor e zelo à minha família e ao meu trabalho, que é o judô.
Futuro no Judô
JV: Quais são seus planos a partir dessa conquista mundial?
Daryene: Incentivar mais mulheres e meninas a praticarem Judô. Incentivar as veteranas a voltarem ao tatame e também buscar patrocínios para o Mundial do ano que vem.
JV: Pretende seguir competindo em campeonatos nacionais e internacionais?
Daryene: Sim, com certeza. Estou ainda mais motivada!
JV: De que forma você pretende continuar contribuindo para o judô, dentro e fora do tatame?
Daryene: Sendo e dando um bom exemplo de de, intimidade com Deus, perseverança em tudo o que faço, amor e zelo à minha família e ao meu trabalho que é o Judô!














