Poucas histórias traduzem tão bem o espírito do judô veterano quanto a de Juan Carlos Cuaical. Iniciado no judô ainda criança, atleta veterano ativo e hoje Coordenador Nacional da categoria no Equador, ele acompanhou de perto — e ajudou a construir — cada etapa do crescimento do judô veterano no país.
Desde os primeiros encontros motivados pela amizade e pelo respeito aos senseis, até a consolidação de campeonatos nacionais e a presença constante do Equador em eventos internacionais, Juan Carlos vive o judô como um projeto de vida. Sua trajetória une disciplina, paixão e uma visão clara de futuro, pautada no princípio do Jita Kyoei e na convicção de que o judô é, de fato, para toda a vida.
Nesta entrevista ao Portal Judô Veteranos, Juan Carlos Cuaical compartilha sua história no judô, relembra os momentos fundadores do judô veterano equatoriano, analisa os desafios da coordenação nacional e projeta os próximos passos de uma categoria que segue crescendo dentro e fora do tatame.
APRESENTAÇÃO
JUDÔ VETERANOS: Juan Carlos Cuaical, poderia se apresentar ao público do Judô Veteranos e compartilhar um pouco da sua trajetória no judô até assumir a coordenação nacional do judô veterano no Equador?
Sou Juan Carlos Cuaical. Comecei a praticar judô aos 10 anos, na escola de judô da Federação Desportiva de Chimborazo. Nasci em Quito, capital do Equador, mas resido na cidade de Riobamba, que amo como se fosse minha cidade natal.
Sou faixa-preta Ni-Dan e atleta veterano ativo na categoria M5, na divisão até 66 kg. Hoje, com 50 anos, tenho como objetivo competir em um Campeonato Mundial de Veteranos.
Meus mentores no judô foram os senseis Raúl Viteri, Roberto Abdo e Marcelo Vásquez, que fizeram um trabalho tão marcante que me apaixonei profundamente pela arte marcial e sigo praticando com ainda mais paixão.
Em 1992, fui campeão nacional juvenil e integrei a seleção do Equador que disputou o Campeonato dos Países Andinos.
Como veterano, participei do Campeonato Sul-Americano e Pan-Americano de 2022, em Salvador (Brasil), conquistando duas medalhas de bronze. Em 2023, fui vice-campeão sul-americano em Guayaquil; em 2024, alcancei o quinto lugar no Pan-Americano de Bogotá; e, em 2025, conquistei o bronze na Copa Pan-Americana de Veteranos, em Lima.
Desde 2020, atuo como Coordenador Nacional de Judô Veteranos do Equador.
JV: Como o senhor define o papel do dirigente no judô veterano e qual considera ser a principal responsabilidade dessa função em nível nacional?
Juan Carlos Cuaical: O papel do dirigente veterano é um ato de paixão pelo judô, profundamente ligado ao princípio do Jita Kyoei — benefício e prosperidade mútua. É um trabalho ad honorem, sem horários, sem egoísmos, mas com a plena convicção de que estamos entregando o melhor de nós para engrandecer nossa categoria.
A principal responsabilidade é manter sempre elevados a motivação, a constância e a disciplina dos atletas, além de integrar cada vez mais praticantes às atividades da categoria.
JUDÔ VETERANO NO EQUADOR
JV: O judô veterano no Equador teve início em 2013. Como foram esses primeiros passos e quais ações foram fundamentais para estruturar a categoria no país?
Juan Carlos Cuaical: Em 2013, reunimos cerca de 50 judocas da província de Chimborazo para prestar uma homenagem ao nosso sensei Roberto Abdo, diagnosticado com câncer. Estivemos à frente dessa iniciativa eu e Hugo Méndez Cruz.
Nesse evento participaram judocas de outras províncias, especialmente de Guayas, que se emocionaram com a homenagem e nos convidaram para um treinamento conjunto em Guayaquil.
Durante o planejamento, outros líderes manifestaram interesse, e decidimos transformar o encontro em um campeonato. Assim nasceu a primeira edição da Copa Judô Veteranos Riobamba 2015, com 60 atletas, posteriormente denominada Copa Judô Veteranos Fausto Méndez.
Hoje, consolidada novamente como Copa Judô Veteranos Rio, prepara-se para sua décima edição, em março de 2025, sendo o maior e mais prestigiado evento da categoria no Equador.
A partir de 2016, a Federação Equatoriana de Judô retomou o Campeonato Nacional de Veteranos. Durante a pandemia, mantivemos a atividade com treinamentos virtuais e eventos funcionais, o que levou à criação da Comissão de Veteranos.
Em 2022, cinco atletas participaram dos campeonatos internacionais em Salvador (Brasil), abrindo definitivamente o caminho para a presença equatoriana nos grandes eventos mundiais.
JV: A seleção do Equador passou a competir internacionalmente a partir de 2022. O que esse avanço representou para o judô veterano equatoriano?
Juan Carlos Cuaical: Desde 2022, o Equador está presente em todos os torneios internacionais — sul-americanos, pan-americanos, copas pan-americanas e mundiais — com crescimento constante no número de atletas.
A primeira participação em Salvador foi memorável. A organização rompeu paradigmas e, para nós, foi uma experiência fantástica que marcou o início dessa nova fase.
DESAFIOS DA COORDENAÇÃO NACIONAL
JV: Quais foram os principais desafios enfrentados pela coordenação nacional até a consolidação do judô veterano em eventos internacionais?
Juan Carlos Cuaical: São muitos desafios, mas a falta de apoio de autoridades, instituições e empresas ainda é um obstáculo que estamos trabalhando para mudar.
O judô veterano tem uma narrativa única, de resiliência, constância e exemplo vivo de que o esporte permite uma vida saudável em qualquer idade.
JV: Como ocorre hoje a articulação com federações regionais, clubes e dirigentes?
Juan Carlos Cuaical: A Federação Equatoriana de Judô é o órgão máximo e responsável pelo campeonato nacional e pelas autorizações internacionais.
Em nível local, clubes desempenham papel fundamental na difusão do judô veterano, como Judokas por Siempre, Judo Master Guayas, Ippon Quito, Judo Pichincha, entre muitos outros.
VISÃO DE FUTURO
JV: A conquista da primeira medalha mundial do Equador em 2025 impactou o planejamento da modalidade?
Juan Carlos Cuaical: Sem dúvida. Esse feito demonstra nosso progresso em poucos anos e aumenta o compromisso de seguir motivando atletas para a alta competição.
Em 2023 fomos a Abu Dhabi com dois atletas, em 2024 a Las Vegas com dez, e em Paris 2025 com quinze atletas. O livro da nossa história ainda tem muitas páginas em branco.
JV: Quais são as prioridades estratégicas para os próximos anos?
Juan Carlos Cuaical: Após sediar com sucesso o Sul-Americano em Guayaquil, em 2025 o Equador será sede do Campeonato Pan-Americano de Veteranos.
Também buscamos a formalização definitiva da Comissão de Veteranos, com regulamentos claros e apoio institucional contínuo.
ENCERRAMENTO
JV: Que mensagem o senhor deixa aos judocas veteranos que ainda não participam das competições oficiais?
Juan Carlos Cuaical: Os sonhos existem para serem realizados. Com dedicação e esforço, tudo é possível.
Criamos no Equador a categoria M0/F0 (25 a 29 anos) para preparar futuros veteranos. Convido todos a “desempoeirar o judogi” e retornar ao tatame.
JV: Que legado o judô veterano equatoriano começa a construir?
Juan Carlos Cuaical: Um legado brilhante, de grandes objetivos alcançados em pouco tempo. Queremos deixar bases sólidas para que o judô veterano continue crescendo ao longo dos anos.
JV: Gostaria de acrescentar algo que considere importante para a comunidade do Judô Veteranos?
Juan Carlos Cuaical: Tenho um sonho: que o Equador seja sede de um Campeonato Mundial de Veteranos. Já demonstramos capacidade organizacional e tenho certeza de que, no futuro, esse sonho se tornará realidade.














