A história do judô veterano na Argentina está diretamente ligada ao trabalho coletivo, à organização e ao espírito de pertencimento construído ao longo dos anos. À frente desse processo está Sergio Alba, sensei, competidor ativo e atual coordenador nacional do judô veterano argentino.
Nesta entrevista ao Portal Judô Veteranos, Sergio Alba compartilha sua trajetória no judô, sua atuação na gestão e organização do segmento master, os avanços estruturais conquistados no país e a importância da integração sul-americana. Um relato que valoriza o compromisso humano, a saúde, a amizade e o verdadeiro sentido de permanecer no tatame ao longo da vida.
Apresentação
Judô Veteranos: Sensei Sergio Alba, poderia se apresentar aos leitores do Portal Judô Veteranos e contar como foi seu caminho no judô até chegar à coordenação nacional do judô veterano na Argentina?
Sergio Alba: Olá a todos e obrigado por dedicarem seu tempo para conhecer melhor o judô veterano da Argentina.
De forma resumida, iniciei minha prática no judô aos 10 anos com o Mestre Pedro Fukuma, no Club Atlético River Plate, na cidade de Buenos Aires.
Desde o início, gostei muito da competição, não apenas pelo evento em si, mas também por compartilhar com meus companheiros aqueles treinos em que nos ajudávamos e nos apoiávamos, criando um vínculo muito especial, tanto no clube quanto com judocas de outras instituições ao representar a Federação.
Nos meus últimos anos morando em Buenos Aires, fui professor no River Plate, mas por falta de tempo, devido a questões profissionais, precisei deixar a função.
Em 2007 me mudei para a cidade de Villa Carlos Paz, na província de Córdoba, onde retomei a prática. Em 2009 voltei às competições nacionais, já como veterano. Naquela época, nossa categoria ainda fazia parte dos campeonatos gerais.
Voltei a lecionar em 2011, no Centro Italiano de Villa Carlos Paz. Em 2012 organizei meu primeiro torneio em Córdoba. Desde jovem, sempre trabalhei na organização de torneios no River Plate, inclusive vários internacionais.
Naquele ano havia sido criada a Comissão de Judô Veterano, separando nossos campeonatos nacionais do torneio geral, e fui nomeado diretor da região central. Por isso, nesse retorno à organização, realizei um campeonato regional de veteranos.
Durante vários anos mantive o mesmo formato de torneio, crescendo ano a ano. Em um dia realizávamos todas as categorias até sênior, e no dia seguinte os veteranos. Assim, os professores orientavam seus alunos no primeiro dia e competiam com tranquilidade no segundo.
Em um desses torneios criei uma categoria para um segmento até então excluído: os veteranos novatos. Hoje, essa já é uma categoria oficial nos últimos Campeonatos Sul-Americanos.
Em 2016 fui eleito diretor esportivo da Federação Cordobesa de Judô, responsável pela organização de eventos, e também diretor do judô veterano.
Desde 2023 fui nomeado pela Confederação Argentina de Judô para dirigir a Secretaria de Judocas Veteranos da Argentina e, ao final de 2025, fui reeleito para o mesmo cargo.
Tudo isso sem deixar de ser competidor!
JV: Ao longo da sua trajetória, o que mais o motivou a atuar na área de gestão e organização do judô veterano?
Sergio Alba: Desde pequeno gostei de organizar atividades. Acredito que isso foi algo herdado do meu pai, que durante muitos anos foi dirigente de um clube em Buenos Aires.
Quando percebi que os judocas veteranos viajavam para participar dos primeiros Campeonatos Mundiais, mas cada um por conta própria ou organizados apenas dentro de suas instituições, me propus a trabalhar para mudar essa realidade.
Campeonato Nacional de Veteranos
Rio Cuarto 2026
Nos dias 20 e 21 de março, Río Cuarto sediará o Campeonato Nacional de Abertura para Veteranos de 2026 no Club Atlético Central Argentino, marcando o início da temporada argentina de judô para veteranos.
REALIDADE DO JUDÔ VETERANO NA ARGENTINA
JV: Como o senhor descreveria o cenário atual do judô veterano na Argentina em termos de participação, estrutura e engajamento da comunidade?
Sergio Alba: Conseguimos fazer com que o judô veterano crescesse de diversas formas na Argentina. O mais importante foi o trabalho em equipe, que abriu portas para muitas mudanças.
Hoje, todas as províncias têm representantes de veteranos. As federações provinciais passaram a ter um cargo que antes não existia: o comissário de veteranos, que atua como intermediário entre a Secretaria de Veteranos e os praticantes de cada província.
Somado a isso, com a comunicação pelas redes sociais e grupos de WhatsApp criados com os praticantes, melhoramos muito a comunicação nos dois sentidos.
Realizamos campos de treinamento e torneios em diferentes regiões do país, incentivando o retorno aos tatames de muitos judocas. As atividades funcionam bem mesmo sem a minha presença direta, o que permite a realização simultânea de eventos — algo muito importante em um país de grandes distâncias como o nosso.
Nos campos de treinamento, convidamos judocas sênior de alto nível, que trazem um excelente ritmo de treino e levam consigo os conhecimentos que a experiência nos deu como veteranos. Hoje, vários judocas que ainda competem no sênior também participam das competições de veteranos.
Esse movimento contribui muito. Uma pessoa adulta que se mantém ativa praticando esporte melhora significativamente sua qualidade de vida, sem esquecer da importância social que isso também representa.
JV: Existem características do judô veterano argentino que o diferenciam de outros países da região?
Sergio Alba: Os argentinos são muito passionais em tudo o que fazem, e os judocas veteranos não fogem disso. Somado ao fato de termos tido grandes mestres, que deram uma base técnica muito sólida, isso confere ao judoca argentino uma característica muito especial.
DESAFIOS E ORGANIZAÇÃO
JV: Quais são hoje os principais desafios para manter o judô veterano argentino ativo e organizado em nível nacional?
Sergio Alba: O principal desafio da Secretaria é fazer com que os praticantes se comprometam com o grupo e que o crescimento do judô veterano na Argentina não dependa de uma pessoa específica, mas sim do trabalho coletivo.
Outro objetivo é oferecer eventos de excelente qualidade, de forma que, ao analisar, cada participante sinta que a experiência superou o esforço econômico, o tempo longe da família e as demandas profissionais.
JV: Como a coordenação nacional busca equilibrar as demandas esportivas, institucionais e humanas do segmento veterano?
Sergio Alba: A comunicação é essencial para coordenar as diferentes regiões, onde as distâncias não ajudam. Por isso, é fundamental conhecer as problemáticas locais, ouvir os comissários ou representantes e permitir que participem de algumas decisões.
Assim, conseguimos contar com pessoas dispostas a trabalhar e ajudar a atender às diferentes demandas. Sentir-se parte de um grande grupo de amigos que se ajudam mutuamente é uma base muito sólida para alcançar consensos.
INTEGRAÇÃO REGIONAL E FUTURO
JV: Qual a importância da integração com outros países da América do Sul para o desenvolvimento do judô veterano argentino?
Sergio Alba: É muito importante para nós o vínculo com judocas de outros países. Por isso, nossas atividades são sempre abertas. O intercâmbio nos faz crescer juntos.
JV: De que forma as iniciativas conjuntas podem fortalecer as competições e o planejamento regional?
Sergio Alba: É fundamental um trabalho conjunto, sem interesses pessoais, com uma agenda bem planejada e eventos com boa participação. Eventos com poucos participantes acabam desmotivando tanto os judocas quanto os organizadores.
Para isso, é necessário considerar as particularidades da nossa região. Não somos a Europa — aqui as distâncias, o número de praticantes e a economia são diferentes. A boa organização também ajuda a reduzir a simultaneidade de eventos, o que prejudica a participação.
ENCERRAMENTO E MENSAGEM FINAL
JV: Que mensagem o senhor deixaria aos judocas veteranos argentinos que ainda não participam das ações oficiais?
Sergio Alba: Convido todos a participarem de qualquer uma de nossas atividades, da forma que se sentirem mais confortáveis. Não é apenas para competidores. A contribuição de cada um é muito valiosa.
O reencontro com amigos — e até com antigos rivais que acabam se tornando amigos — é algo extremamente gratificante.
JV: Olhando para o futuro, como gostaria que o judô veterano argentino fosse lembrado na história do judô do país?
Sergio Alba: Como o grupo do qual todo judoca argentino queria fazer parte, reconhecido mundialmente pela garra, pelo judô e pela amizade desinteressada.
Sempre deixamos espaço para que você compartilhe algo importante sobre o qual não foi perguntado, mas que considera relevante para a comunidade de judô veterano.
Sergio Alba: Algo que considero muito importante no judô veterano é o cuidado com a saúde. Para isso, são fundamentais o acompanhamento médico responsável e um bom treinamento orientado por profissionais.
E, por último: aproveitem. Com o passar dos anos, o que realmente fica são os bons momentos vividos, não as medalhas.
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